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Um homem que buscava sexo decompromissado com garotas de programa e acabou apaixonando-se por uma delas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Parte 3 - Labirinto.

Numa noite, mais um encontro marcado entre os dois. A situação ainda estava indefinida. Elise é instável e estava confusa, muito confusa. Na hora marcada ela não apareceu, nem depois. Humberto esperou por horas. Na última vez que ela atendeu o telefone sugeriu que ele pedisse uma pizza para os dois, pois ela estava a caminho. Estava se arrumando. Ele pediu e a pizza chegou, mas ela não atendia mais o celular.

Humberto sofria, angustiava-se, não entendia o que se passava na cabeça daquela mulher. Saiu com amigos para beber. Estava disposto a sair com outra mulher por vingança. Mas não era de seu feitio chavecar mulheres na noite. Depois de beber um pouco resolveu ir aonde acreditava que encontraria Elise. Foi para a boate onde ela trabalhava. Não a encontrou. Mas encontrou Sheila, a amiga de Elise.

_ O que você está fazendo aqui?
_ Vou sair com outra porque a Elise não me atende.

Em poucos minutos e telefone toca. Se celular não vibrasse seria impossível ouvir naquele barulho da boate. Era Elise. Ele atendeu mas não dava para conversar. Saiu da boate.

_ O que você está fazendo aí?
_ Vim te procurar. Você sumiu.
_ Você saiu com outra?
_ Ainda não.

Humberto começou a despejar sua raiva. Como ela podia fazer isso com ele? Elise não sabe ouvir reclamações. Ofereceu-se para ir encontra-lo. Era o que ele mais queria, mas estava ofendido e disse não. Depois de alguns minutos ligou mas ela não atendia. Insistiu várias vezes até que ela atendeu:

_ Pára de me ligar.

Falou e desligou. Ele insistiu e ela atendeu:

_ Não me liga mais não.

Desligou de novo e ele insistiu. Estava louco de paixão por aquela mulher. Não tinha mais vergonha na cara. Não tinha mais brio nem orgulho. Estava rastejando aos pés de quem lhe maltratava sem motivo:

_ Pára de me ligar. Não está vendo que está me incomodando? Você é um tormento na minha vida. Estou com meu namorado aqui e você está atrapalhando. Você é apenas um cliente.

O mundo caiu. O chão desabou. Humberto sentiu-se enganado, pisado, feito de idiota. Havia dedicado sentimentos, havia arriscado seu casamento, havia ajudado financeiramente. E ela o enganava. Tinha namorado! Ele era "apenas um cliente"! Tentou dormir e ficou pensando. Sentiu um alívio, afinal. Agora estava tudo terminado. Podia voltar à sua vida cotidiana e salvar seu casamento. Podia agora continuar saindo com outras putas. Puta era tudo igual mesmo. Só queriam seu dinheiro.

Pensou melhor e decidiu não sair mais com putas. Só querem dinheiro. Tentou dar carinho, atenção e afeto. Tentou trata-la como mulher, como pessoa, não como objeto de prazer. Mas elas não querem amor, Querem dinheiro apenas. Pernas abertas e língua habilidosa. Perfumes e lingeries. Gemidos falsos. Amor de plástico. Tudo por dinheiro.

No dia seguinte procurou se desfazer de tudo que remetia a ela. Excluiu-a do orkut e do msn. Pois é. Estava no orkut dele! Todo mundo podia ver, inclusive sua mulher! A que ponto chega um homem louco de paixão. Havia criado um blog para ela com fotos que tirou em sua casa. Excluiu o blog. Catou os fios de cabelo que ela deixara em seu banheiro e em sua cama.

Um dia ou dois antes disso tinham transado sem camisinha pela primeira vez. Humberto sentiu pela primeira vez a carne da vulva de Elise. Era significativo para ele. O que para alguns pode significar risco de uma doença venérea para Humberto era a consagração de sua paixão. Sentir na carne de seu pau a carne da buceta dela. O calor e os fluídos. O cheiro da pele, sem a maldita borracha da camisinha.

Não chegou a gozar. Ainda tinha um resto de juízo, mas sabia da possibilidade, embora pequena, de engravida-la apenas com a lubrificação peniana. Disse isso para Elise e ela ficou preocupada. Tomou a pílula do dia seguinte.

Humberto não fazia a mínima idéia de como isso mexeu com a alma de Elise. Depois que ele conheceu alguns fatos de seu passado pode entender o que significava para ela uma gravidez. Coisa de quem tem alguma idéia das teorias de psicanálise. Elise tinha pavor de engravidar. Tinha uma insegurança muito grande, muito medo de ser abandonada.

O que Humberto faria se ela ficasse grávida? Com certeza iria abandona-la e desaparecer de volta para o sul. Ele a deixaria sozinha com um filho no ventre. Isto impediu-a de comer com ele aquela pizza. Medo. Elise não tinha namorado. Havia mentido.

No dia seguinte, depois que Humberto se desfez das coisas que a lembravam e depois de estar decidido a mudar de vida para sempre, depois do baque, do tombo, da porrada, Elise ligou por volta das 4 da tarde. Ele, como não poderia deixar de ser, atendeu. Como não atenderia se a amava? Estava perdidamente apaixonado. Estava na verdade aguardando ansiosamente aquela ligação.

_ Oi.
_ Pra quê você me ligou?
_ Pra gente conversar melhor.
_ Mas e o seu namorado?
_ Eu não tenho namorado. Estava com raiva porque você saiu com outra menina.
_ Eu não saí com ninguém.
_ Uma menina me disse que saiu com você. Ela até te descreveu.
_ Mentira. Eu não saí com ninguém. É mentira. Manda ela dizer na minha cara.
_ Mas ela disse que era você, até descreveu.
_ Porra Elise! Fiquei a noite toda atrás de você! Porra! Eu não saí com ninguém!
_ Verdade?
_ Claro que é verdade! Porque eu mentiria? Eu queria sair mesmo mas não saí. Não tive coragem. Eu queria ter saído porque estava com muita raiva de você, mas não saí.
_ Então vou colocar vocês dois frente a frente.
_ Pode colocar agora se quiser. Eu não saí com ninguém.

Foi um alívio e uma vertigem. Tudo mudava depois disso. Elise explicava o motivo da última conversa que tiveram, que o levou a querer esquece-la, mas não explicava porque o deixou esperando com a pizza. Só depois ele entendeu que era por causa da idéia da gravidez. Elise havia entrado em parafuso com idéia de estar grávida e ser abandonada. Estava confusa demais. Travou.

Humberto tinha um bom salário. Foi advertido que encontraria caçadoras de pensão na região norte. Haveria candidatas a engravidar para garantir uma renda por 18 anos, pelo menos. Elise não era esse tipo. Repudiava a idéia de engravidar de um cliente que mal conhecia e que era casado, com raízes em outra região do país.

A alma de uma mulher é um labirinto. Um mistério profundo.

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