Humberto nunca procurou outro relacionamento. Nunca planejou ter uma amante. Sempre saía com garotas de programa para uma transa eventual, sem envolvimento. Depois de casado nunca transou com outra mulher que não fosse garota de programa. Mas seu caso com Elise havia extrapolado os limites da mera satisfação carnal. Tornaram-se amantes.
A maioria dos homens deseja ter mais de uma mulher ao mesmo tempo. Se posível, cada homem transaria com uma mulher diferente a cada dia, senão com mais de uma e ao mesmo tempo. Num único dia, um homem pode desejar dezenas de mulheres. Cada uma que passa em sua frente, a colega de trabalho, a atendente, a que está passando na esquina, a vizinha, a mulher do próximo, a irmã do amigo, a amiga da irmã, a secretária, a médica, a enfermeira, a doméstica, a universitária, a coroa. São infinitas possibilidades.
O desejo masculino é uma coisa que desconhece limites. É coisa animalesca, irracional. É proporcional ao número de espermatozóides contidos em cada porção de esperma. O impulso é de fecundar uma mulher diferente com cada um de seus espermatozóides.
Mas poucos homens têm a disposição de relacionar-se com mais de uma mulher. Na verdade, os homens costumam ser arredios a relacionamentos profundos. Se é difícil com uma mulher, imagine-se com duas.
Há que ter nervos de aço.
As mulheres têm o instinto de segurar o macho que será pai de suas crias, que via assegurar o território, o alimento e a estabilidade. O macho alfa. São possessivas neste sentido. Homens são possessivos no sentido de manter seu harém, seu plantel de fêmeas, sua posse de macho. A possessividade feminina é diferente. Falo de maneira geral. Há inúmeras excessões de ambos os lados, mas este é o aspecto mais cru da natureza humana. É muito semelhante ao que acontece entre os símios nossos parentes e entre muitos mamíferos.
Ser casado com uma mulher, ama-la, e de repente encontrar-se apaixonado por outra, ao mesmo tempo. Há que ter nervos de aço. O homem será apertado contra a parede. Será instado a decidir. E vai enrolar para poder ficar com as duas. Ninguém planeja entrar numa situação dessas, mas poucos conseguem sair depois que entram. Humberto foi aconselhado por amigos: "Sai disso". "Não vai dar certo". "E se ela for na sua casa". "Sua mulher vai te deixar".
Ter uma amante é correr grave risco de perder o relacionamento com a mulher "oficial". Por mais cuidado que se tenha sempre haverá algum rastro, algum indício, alguma pista mal ocultada. Não é difícil para uma mulher descobrir a traição de seu homem. A mentira tem pernas curtas, por mais entusiasmada que seja. Um homem disse que "a verdade é uma força da natureza". Ele tem razão. A verdade se impõe.
E por que arriscar tanto? Perder uma relacionamento de anos, perder a confiança da pessoa amada, perder a família que um dia sonhou-se ter. Jogar tudo pelos ares por causa de um sentimento indefinido por uma terceira pessoa.
Não. Não somos safados. Não somos sem-vergonhas. Não somos bandidos. Somos homens. Alguns são fortes a ponto de lutar contra seus instintos, mas a maioria não pode e nem quer lutar. Entregam-se ao comando do pênis. Pensam, como dizem, com a cabeça de baixo. Somos animais, em suma. Simplesmente não há o que fazer.
Talvez uma forte formação intelectual, ou religiosa, ou filosófica ou alguma outra razão sejam remédios para domar o desejo masculino, mas poucos são os heróis que conseguem manter-se fiéis a uma única mulher por toda a vida. Eu diria que são raríssimos. Quem não chegou a consumar uma traição, é certo que desejou por mais de uma vez. Quem sequer desejou deve ser beatificado. Seria o novo Messias. O super-homem às avessas do ideal de Nietzsche. O buda em pessoa.
Talvez os anos, os cabelos brancos, a cara quebrada, as cabeçadas, a impotência e a sabedoria sejam o remédio, mas aí terá sido tarde. Por quê ninguém ouve conselhos?
Parafraseei o título de Gabriel Garcia Marquez para falar de minhas próprias experiências como cliente de garotas de programa. Sinto necessidade de falar sobre isso. Escrevo para meu próprio bem. Sinta-se à vontade para ler e comentar, se quiser. Não pretendo incentivar a prostituição. Só quero falar do que vivi. Todos os nomes citados são codinomes que atribuí para preservar a identidade das pessoas. Ou seja, não é o nome de guerra da garota.
Quem sou eu
- Ricardo
- Um homem que buscava sexo decompromissado com garotas de programa e acabou apaixonando-se por uma delas.
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