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Um homem que buscava sexo decompromissado com garotas de programa e acabou apaixonando-se por uma delas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Parte 6 - Vingança

Como eu disse, por vezes Elise desaparecia. Não atendia o telefone, não respondia mensagens. Não cumpria o combinado. A paciência de Humberto também tem limite.

Na noite em que discutiram em razão da insegurança dela quanto ao futuro, Elise saiu do apartamento e ele saiu atrás. Pararam na porta de saída para a rua; ele insistindo que não a deixaria. Ela queria ir embora. Entrou no taxi e, antes de partir, disse diante das juras dele:

_ Você disse que não é sempre que cumpre sua palavra.

Humberto desolou-se. Ela estava entendendo tudo errado. Não conhecia o motivo dele ter dito aquilo.

Algumas semanas antes, numa das vezes em que Elise o deixou esperando sem dar notícias, Humberto cansou de esperar e decidiu sair sozinho em sua moto. Tinha comprado uma moto para não ficar dependendo de taxi para sair com ela.

Sair sozinho era parte de seu ritual de caça. Estava disposto a sair com outra mulher. Outra garota de programa. Seria sua vingança. Desde que seu caso com Elise começou a ganhar mais seriedade ele prometeu a ela não sair com outra mulher. Estava a ponto de desfazer seu juramento. Iria, afinal, descumprir sua palavra.

Foi para uma outra boate da cidade, onde o movimento começava mais cedo. Levou o telefone esperando que Elise ligasse a tempo dele desistir do que pretendia fazer. Se ela tivesse ligado ele não teria executado a vingança. Elise não ligou.

Parou a moto em frente a entrada. Conversou com o segurança sobre deixar a moto ali. "É tranquilo". Entrou na boate e sentou-se no balcão próximo à porta de entrada. Havia pouco movimento e poucas mulheres. Nenhuma o atraiu. Pediu uma cerveja e ficou esperando o que ia dar. Enquanto bebia entrou uma morena, invariavelmente uma morena, que ele já hava visto ali antes de conhecer Elise. Deve ter um metro e sessenta, coxas grossas, pernas bonitas, cabelos longos, peitos atraentes, não muito grandes. Ela olhou para ele.

Humberto sabe olhar para uma mulher. Olha com profundidade. Demonstra interesse. Seus olhos dizem sem vacilar que ele quer aquela fêmea. Começou a olhar para a morena. Havia escolhido com quem executaria sua vingança. A morena se aproximou percebendo o interesse. Afinal, chegara para trabalhar e ganhar dinheiro. Um cara a olhava com interesse. Parecia legal. Não era de se jogar fora.

Apresentaram-se. Ele deu nome falso, inventou que era biólogo e conversaram alguns minutos. Pela primeira vez ele não foi direto ao assunto. Queria ter certeza de que havia escolhido a pessoa certa. Não queria perder a oportunidade. Pôs sua mão no braço esquerdo da morena e sentiu sua pele. Gostou. Aproximou-se do pescoço dela e então perguntou do programa. Estava decidido.

Estavam combinando como ir para o motel, se de taxi ou de moto, quando entra uma conhecida amiga de Elise. Humberto a conhecia por fotos, mas ela não o conhecia. A amiga emprestou o capacete e eles foram de moto. Por ironia a amiga de Elise ajudou inconscientemente na vingança. Daí aconteceu. Transaram. Humberto gostou da transa. Sentiu-se vingado. Sentiu que não havia sido passado para trás. Pagou o programa, levou a menina de volta e foi para casa.

Ligou para Elise, mas ela não atendeu. Lá pelas quatro ou cinco da manhã Elise liga meio arrependida, meio chateada, e pergunta se ele queria que ela fosse à sua casa. Claro que ele queria. Era tudo o que queria. Saiu em sua moto para busca-la. Elise estava em casa. Havia bebido e sentia-se mal por te-lo feito esperar. Mas não sabia o que ele havia feito a poucas horas. Estava faminta. Ele saiu para buscar o que comer. Ficaram juntos o resto da noite e da manhã.

O destino os unia novamente. Mas Humbeto tinha agora um segredo e não estava disposto a esconde-lo. Começou a dizer coisas daquele tipo: "não é sempre que cumpro minha palavra". Estava se referindo ao que havia feito. Humberto esconde fatos, mas não gosta de mentir sobre eles. Prefere tergiversar e calar, mas não manuseia bem a mentira. É fácil demais perceber quando mente. E quando diz a verdade parece estar mentindo.

Não podia dizer logo a Elise porque um acontecimento o impediu. Ela sofreu uma agressão de um cara com quem havia saído para um programa. Ficou muito mal, arrasada por alguns dias. Não era o momento de contar. Ele esperaria até o dia em que foi necessário revelar o motivo que o levou a dizer que nem sempre cumpria sua palavra. Esse dia foi quando Elise repetiu as palavras dele.

Foi para a casa dela. Antes mandou uma mensagem pelo celular dizendo que tinha algo a lhe revelar, algo que estava escondendo. Elise ligou e queria saber por telefone. Ele jamais faria isso. Era algo a se dizer em pessoa, olhando nos olhos e explicando os motivos, sentindo as reações e ponderando o que dizer em resposta. Precisava falar pessoalmente.

Chegou à casa dela. Pediu que ela o ouvisse com calma e prestasse atenção em suas justificativas. Começou a falar.

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